CÂNCER DE TIREOIDE E TIREOIDECTOMIA

Diagnóstico preciso para decidir não apenas como tratar — mas quando realmente é necessário tratar

Um diagnóstico relacionado à tireoide nem sempre significa câncer. E mesmo quando um tumor é identificado, a cirurgia não é necessariamente a única resposta ou a primeira decisão a ser tomada.

Ilustração da glândula tireoide, da laringe e da traqueia, com nódulo em avaliação

DR. RENAN LIRA · CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO

Nódulos da tireoide são muito frequentes e, na maioria das vezes, benignos. Quando existe suspeita ou confirmação de câncer, características do tumor, exames de imagem, resultado da punção, idade, condições clínicas e preferências do paciente ajudam a definir o melhor caminho.

MEDICINA DE PRECISÃO

Como Coordenador do Centro de Medicina de Precisão em Tireoide do Hospital Israelita Albert Einstein, o Dr. Renan Lira atua justamente nessa tomada de decisão individualizada: tratar cada paciente de acordo com as características do seu caso, evitando tanto tratamentos insuficientes quanto intervenções desnecessárias.

CÂNCER DE TIREOIDE

Câncer de tireoide: frequente, mas não igual para todos

DADO DE DESTAQUE

16.450 novos casos de câncer de tireoide são estimados por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

O câncer de tireoide apresenta uma característica importante: ocorre com frequência muito maior em mulheres. Para 2026, o INCA estima 13.310 novos casos entre mulheres e 3.140 entre homens. Entre elas, a tireoide representa 5,1% dos novos cânceres, excluindo pele não melanoma.

Mas falar apenas em “câncer de tireoide” diz pouco sobre o tratamento. Existem diferentes tipos de tumor, comportamentos biológicos e graus de risco. Alguns precisam de tratamento cirúrgico; outros permitem uma abordagem mais conservadora. É justamente por isso que a decisão começa antes da cirurgia.

Fonte: INCA — Estimativa 2026–2028.

Imagem de ultrassonografia da tireoide com medição de nódulo

AVALIAÇÃO INDIVIDUALIZADA

Nem todo nódulo é câncer. E nem todo câncer precisa ser tratado da mesma maneira

A investigação de um nódulo pode envolver ultrassonografia, avaliação clínica, exames laboratoriais e, quando indicada, punção aspirativa por agulha fina.

A partir dessas informações, é possível estimar melhor o risco e decidir entre acompanhamento, investigação complementar ou tratamento.

VIGILÂNCIA ATIVA

Quando acompanhar pode ser melhor do que operar imediatamente?

Em casos cuidadosamente selecionados de câncer papilífero de muito baixo risco, a vigilância ativa pode ser considerada. Isso significa acompanhar o tumor de maneira estruturada, com avaliações periódicas, em vez de indicar automaticamente uma cirurgia assim que o diagnóstico é feito.

Não se trata de “não tratar”, mas de reconhecer que o melhor tratamento também pode ser aquele que evita uma intervenção que, naquele momento, não traria benefício adicional ao paciente.

Experiência também significa saber quando operar — e quando acompanhar.

TIREOIDECTOMIA

Quando a tireoidectomia é indicada?

A cirurgia pode ser recomendada em diferentes situações, entre elas câncer confirmado ou suspeito, alguns nódulos volumosos, sintomas compressivos, crescimento significativo ou determinadas doenças funcionais da glândula.

A extensão da cirurgia também varia.

TIREOIDECTOMIA TOTAL

Retirada de toda a glândula tireoide.

LOBECTOMIA

Retirada de apenas um dos lobos da tireoide.

A escolha não deve seguir uma fórmula única. O objetivo é realizar a cirurgia necessária para aquele paciente — nem mais, nem menos.

TÉCNICA E PRESERVAÇÃO

Como é feita a cirurgia da tireoide?

Na cirurgia convencional, a tireoide é acessada por uma pequena incisão na região anterior do pescoço. O procedimento exige conhecimento preciso da anatomia local, já que estruturas importantes estão muito próximas da glândula, incluindo nervos relacionados à voz e as glândulas paratireoides, responsáveis pelo equilíbrio do cálcio no organismo.

Planejamento, experiência cirúrgica e conhecimento anatômico são fundamentais não apenas para retirar a parte necessária da tireoide, mas também para preservar estruturas e funções importantes.

O QUE O CIRURGIÃO BUSCA PRESERVAR

  1. 1Nervos relacionados à voz
  2. 2Glândulas paratireoides
  3. 3Estruturas e funções adjacentes
Ilustração da tireoide vista por trás, com os nervos da voz e as glândulas paratireoides

TIREOIDECTOMIA TRANSORAL

Cirurgia sem cicatriz visível no pescoço?

Para alguns pacientes, existe a possibilidade de acessar a tireoide pela boca, evitando uma incisão externa no pescoço.

Na tireoidectomia transoral, pequenos acessos são realizados entre o lábio inferior e a gengiva. Por eles, o cirurgião introduz os instrumentos necessários para chegar até a glândula.

A principal diferença percebida pelo paciente é simples: não há cicatriz cirúrgica visível no pescoço.

Mas isso não significa que a técnica seja melhor para todos. O tamanho e as características da tireoide ou do tumor, cirurgias anteriores e outros fatores precisam ser avaliados antes da indicação.

Centros internacionais de referência, como a Johns Hopkins, utilizam o acesso transoral em pacientes cuidadosamente selecionados.

Johns Hopkins Medicine: cirurgia de tireoide sem cicatriz →
Esquema do acesso transoral à tireoide, por pequenos acessos entre o lábio inferior e a gengiva
Acesso transoral: pequenos acessos entre o lábio inferior e a gengiva.

TECNOLOGIA

Cirurgia robótica e tireoide

A cirurgia robótica pode ser utilizada em abordagens específicas da tireoide e permite ao cirurgião trabalhar com visão ampliada e instrumentos de grande precisão.

Mas a presença de tecnologia não determina, sozinha, a melhor cirurgia.

A técnica deve se adaptar ao paciente — e não o paciente à técnica.

Visão ampliada do campo cirúrgico com instrumentos robóticos junto à tireoide

DIFERENTES ESTRATÉGIAS

Experiência para escolher entre diferentes caminhos

A avaliação especializada permite considerar diferentes estratégias de acordo com as características de cada caso:

Cirurgia convencional

Cirurgia transoral

Cirurgia robótica

Vigilância ativa

Mais importante do que dominar diferentes técnicas é saber qual delas faz sentido para cada paciente.

O Dr. Renan Lira atua como Coordenador do Centro de Medicina de Precisão em Tireoide do Hospital Israelita Albert Einstein.

Conheça o perfil completo do Dr. Renan Lira →

VÍDEO

Quando suspeitar de câncer de tireoide?

PERGUNTAS FREQUENTES

Perguntas frequentes

Todo nódulo da tireoide precisa ser operado?

Não. A maioria dos nódulos é benigna e muitos precisam apenas de acompanhamento. A indicação de cirurgia depende das características do nódulo, dos exames e da situação de cada paciente.

Todo câncer de tireoide precisa de cirurgia imediata?

Não necessariamente. Alguns tumores de muito baixo risco podem, em pacientes selecionados, ser acompanhados por meio de vigilância ativa. A decisão precisa ser individualizada e acompanhada por equipe experiente.

É sempre necessário retirar toda a tireoide?

Não. Dependendo do diagnóstico, do tamanho e das características do tumor, pode ser possível retirar apenas parte da glândula.

Vou precisar tomar hormônio depois da cirurgia?

Após a retirada total da tireoide, é necessária reposição do hormônio tireoidiano. Quando apenas parte da glândula é retirada, a necessidade de reposição depende da função da tireoide remanescente.

A cirurgia pode alterar a voz?

Alterações temporárias podem ocorrer. Lesões permanentes dos nervos relacionados à voz são complicações possíveis, porém pouco frequentes. A identificação e a preservação dessas estruturas são preocupações centrais durante a cirurgia.

Toda tireoidectomia deixa cicatriz no pescoço?

Não. Para pacientes selecionados, técnicas como a tireoidectomia transoral permitem realizar a cirurgia sem uma cicatriz externa visível.

Cirurgia robótica é melhor que cirurgia convencional?

Não existe uma técnica que seja melhor para todos. A escolha depende das características da doença, da anatomia, dos objetivos e das condições clínicas do paciente.

DR. RENAN LIRA

A melhor cirurgia começa com a decisão certa

Quando existe uma doença da tireoide, experiência não significa apenas saber operar.

Significa compreender quando acompanhar, quando investigar mais, quando operar e, se a cirurgia for necessária, qual técnica oferece a melhor relação entre segurança, resultado oncológico, preservação funcional e qualidade de vida para aquele paciente.

Agendar consulta →